Globo.com: Inspirada em Gustavo, muralha do Osasco espera crescer ainda mais

Quando o paredão subir diante do time do Rio de Janeiro na final deste sábado, Thaisa e Adenízia estarão nele. Gustavo também. Mesmo sem saber, o campeão olímpico virou fonte de inspiração das jogadoras do Osasco, que procuram repetir em quadra as lições aprendidas com aquele que consideram o melhor do mundo na posição. Foi com essa ajuda que se transformaram no que Bernardinho chama de “melhor dupla de centrais de clubes do mundo”. E ela estará em ação a partir das 10h, no Mineirinho, com transmissão ao vivo da TV Globo e Tempo Real do GLOBOESPORTE.COM. O Osasco, atual campeão, busca o penta. O Rio tem seis títulos.

Assistir aos jogos do mais velho dos irmãos Endres virou programa obrigatório para Thaisa desde os 18 anos. Dona do segundo melhor aproveitamento em bloqueios da Superliga, ela foi a que mais pontos marcou no fundamento: 91 sucessos até o momento. É também a líder no saque.

– Lembro que bem novinha eu virei para o Bernardinho e disse que o tinha como fã. E ele falou que eu estava bem de ídolo. Sempre tive Gustavo como parâmetro. Ele tem uma visão absurda de jogo, bloqueia muito e é rápido. Sempre acompanho as partidas dele para ver o que está fazendo. Eu me cobro demais e acho que nunca o que faço está bom. E ele também é exigente. Mas nunca falei que sou fã nas vezes que o encontrei. Tenho vergonha – ri.

Sentia o mesmo na infância, época marcada pelos apelidos referentes à altura e magreza. Thaisa foi por muito tempo o “poste”, a “Olívia Palito”, antes de entrar para o seleto grupo dos campeões olímpicos. Só que estar acima da média ainda traz desconforto para a meio de rede de 1,96m.

– Eu fui muito zoada na escola. Tinha complexo porque era muito grande, esquisitinha. Até hoje tenho dificuldade para comprar roupa. Passo frio porque as mangas do casacos ficam sempre curtas.

Adenízia não sofre com o mesmo problema. Com dez centímetros a menos do que a companheira, é considerada baixinha para posição. Mas se agiganta. Gustavo é a primeira referência, seguido por Douglas, que defendeu o Cruzeiro. Durante as semifinais da Superliga, ela tornou pública sua admiração no Twitter ao escrever que gostaria de um dia atacar como ele. No entanto, quando o assunto é “fechar a porta”…

– Douglas é um central baixo e faz chover no ataque. Mas eu admiro muito o Gustavo. Lembro que bati o recorde de bloqueios na minha primeira Superliga. Naquela época, ele tinha sido eleito o melhor bloqueador do mundo. O Serginho o chamou e perguntou se ele se achava bom e quantos pontos tinha feito. Ele respondeu 96. Aí o Serginho disse que eu tinha feito 123 e que ele precisava aprender comigo. Achei engraçado – diverte-se.

Embora as dores no joelho tenham feito o seu rendimento cair um pouco durante a temporada, Adenízia diz estar pronta para tentar conter o ímpeto de Sheilla, líder nas estatísticas de ataque e maior pontuadora do campeonato, com 475 êxitos.

– Ela é uma jogadora muito respeitada mundialmente. Sabemos que vai ser uma pedreira do começo ao fim. Vai ganhar quem tiver mais determinação e mais grupo. Mas se nosso bloqueio conseguir parar uma estrela como a Sheilla vai ser uma felicidade enorme!

Para Thaisa, o segundo título consecutivo irá coroar o trabalho da equipe, que teve de superar problemas de lesões para chegar até mais uma decisão.

– Será um jogo muito difícil e equilibrado. Passamos por altos e baixos, sofremos com lesões, oscilamos muito e agora estamos numa crescente bacana. Isso dá confiança. Se o título vier, será um prêmio por toda a dedicação que tivemos.

Fonte: Globo.com

Foto: Alexandre Arruda/CBV